’Filhos da Terra’: do Povoado Estiva para o RJ. Conheça a história da maranhense Dalva da Silva, que lutou contra a pobreza em busca de um futuro melhor
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’Filhos da Terra’: do Povoado Estiva para o RJ. Conheça a história da maranhense Dalva da Silva, que lutou contra a pobreza em busca de um futuro melhor

Durante muitos anos a população de diversos estados do Nordeste largaram a sua terra natal em busca de melhores condições de vida. Essa é a história de Maria Dalva Ramos da Silva, de 67 anos, que deixou para trás a vida pobre no Povoado Estiva e foi em busca de um futuro melhor.

De uma família de 10 filhos, Dalva nasceu no povoado Estiva, local de residência dos seus avós, mas depois se mudou para a Baixa da Madeira, sendo uma das primeiras moradoras da região nos anos de 1960.

Aos 12 anos, saiu para estudar em Tutoia com seu irmão e ficaram morando na casa de algumas pessoas. Naquela época, segundo Dalva, os filhos iam trabalhar na casa de família para trabalhar e estudar e precisavam seguir as regras da casa.

Em seguida, se mudou para São Luís e trabalhava apenas para ganhar um prato de comida. E foi no meio do desafio, que Dalva encontrou oportunidades e abriu os olhos, vendo que não queria mais voltar para a pobreza e precisava ir em busca de algo melhor.

Foi quando surgiu a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro e com seu salário conseguia ajudar melhor a família. Lá ela se casou e ainda com um filho pequeno, resolveu se mudar para Belém, por incentivo do irmão. Entretanto, sua vida estava ligada aos cariocas e acabou retornando anos depois.

Dalva trabalhou por muitos anos, e hoje aposentada, serve de grande exemplo para os moradores de Tutoia e os povoados que acham que a vida não pode dar uma guinada. Para ela, o importante é ter foco e objetivo.

Mesmo longe, ela ainda está bastante ligada aos povoados e disse que o poder público precisa dar mais atenção a setores da educação e saúde.

“Nossos povoados sempre foram muito esquecidos. Nunca tiveram estrutura para atendimento, até mesmo de pequenas ocorrências de saúde. Assim, acredito que deveria ter nestes povoados um posto policial e um profissional de saúde de plantão, além de uma escola que oferece educação de qualidade”.

Para Dalva, existe uma falta de interesse do poder público e dos moradores, e a AMOPPE – Associação dos Moradores e Pescadores do Povoado Estiva, Baixa da Madeira e Ponta de Faca tem papel fundamental em mudar isso.

“A associação é muito importante, porque os moradores levam os problemas e ela se encarrega de ajudar, sendo o porta voz junto ao poder público”

Para aqueles que ficaram em sua terra natal, Dalva manda uma mensagem animadora que pode fazer a diferença.

“Nunca desista e pense sempre no melhor. Desde criança, não queria aquela vida de pobreza, e aprendi muito, mesmo com muita luta. Tenha um objetivo na sua vida e você verá os resultados”

Essa é mais uma “Filha da Terra” que traz orgulho para a nossa região e que, apesar dos desafios sofridos na infância, os abusos de trabalho e a saída em busca de algo melhor, não foram suficientes para acabar com seu amor pelos povoados e de fazer a diferença entre a população.

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